Medo: sempre tive receio desta palavra, mas ela nunca chegou a me assustar tanto como hoje à tarde quando descobri, na prática, o que ela significa!!!
Era apenas a continuação da pauta "invasão no Campo Comprido", nossas intenções eram as melhores, como das outras vezes. Chegamos, conversamos com os invasores, cheguei até a brincar com alguns, sem problema nenhum, sem ofensa, sem más intenções. Jogamos totalmente limpo com todos, sempre falando de nosso objetivo, sem esconder nada. Respeitamos claramente os que não quiseram ser fotografados. As fotos renderam muito, assim como das vezes passadas, afinal, é inegável o talento de nossa "fotógrafa". Conseguimos rever alguns entrevistados de nossa 1ª matéria, que foram muito simpáticos, posaram para novas fotos e conversaram durante longo tempo conosco. Pudemos conhecer e conversar com novas pessoas também. Estava tudo certo, perfeito para dar-mos continuidade ao trabalho e, possivelmente, concorrer ao prêmio de jornalismo no fim do ano.
Quando já estávamos longe da invasão, voltando satisfeitas e felizes pelo excelente resultado que havíamos alcançado, fomos abordadas por um indivíduo que levou nosso trabalho junto com a estimada câmera de minha companheira de reportagem, ameaçando-nos. Não reagimos, aliás, tudo que fizemos, foi explicar que nosso trabalho era limpo, como de fato é.
Depois disso, decidimos não insistir mais na investigação desta pauta que, para nós, terminou hoje e de forma frustrante.
É triste perceber que não se pode reportar e mostrar a realidade da sociedade em que vivemos e, por mim, prefiriria morrer tentando. No entanto, tenho certeza que minha vida vale mais que uma reportagem!! Depois de termos sido impedidas de mostrar o que vimos, decidi retirar do meu álbum as fotos que havíamos tirado das outras vezes, porém, o álbum permanece..
Tentávamos, apenas, mostrar uma realidade não vista pelos jornais, a situação real e complexa dos invasores. Levaram nosso instrumento de trabalho, mas não podem levar nosso pensamento nem nosso amor pelo jornalismo!!
Obrigada pela visita,
Volte sempre.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Curitiba, a capital marginal.. quero dizer, social..
"Curitiba é uma cidade segura??"
Esta é a pergunta que estou fazendo desde fevereiro, quando comecei minha primeira reportagem pela faculdade. Entrevistamos oficiais, fizemos enquetes nas ruas, pesquisamos estatísticas e chegamos a uma conclusão não muito agradável.
Segundo a população Curitibana, ainda há muito a melhorar em relação à segurança na Capital. Os resultados de nossas pesquisas demonstraram claramente a preocupação do povo com esse grave problema. A maior parte dos entrevistados considerou grave a falta de segurança e disseram já terem sido assaltados ou, pelo menos, conhecem alguém que já sofreu com a violência que, segundo eles, começa na formação dos cidadãos, por isso, não basta apenas contratar policiais, mas deve-se também evitar que crianças, jovens e adolescentes entrem para esse meio. Alguns responderam que a maior parcela de culpa é da própria população que facilita a ação dos ladrões, mas a maioria atribuiu a violência urbana à falta de investimentos governamentais para segurança e educação.
Diante da indignação da população, que não aguenta mais sair de casa sem saber se vai voltar, alguma atitude deveria ser tomada imediatamente, tanto para reforçar a segurança quanto para uma educação de qualidade, para que, ao invés de futuros marginais, maníacos, traficantes e outros funcionários do crime, formem-se médicos, advogados, engenheiros, secretárias, jornalistas, que por mais que não as cumpram, tenham conhecimento das noções de ética e moral e saibam como utilizá-las.
É isso que esperam as gerações atuais, as que aqui passaram e as que ainda virão. Uma sociedade justa só se constrói com pessoas dignas e com condições dignas. É visível que a corrupção começa nas menores coisas, como quando se recebe um troco errado no supercado sem corrigir o erro e devolvê-lo para o caixa, mas a situação já esta ficando preocupante demais.
Provavelmente em breve, poderemos ser assaltados por nossos próprios filhos, afinal, é isso que eles estão recebendo como base de sua formação. É claro que estou sendo irônica, mas intencionalmente.
Espero poder postar sobre assuntos mais felizes e otimistas aqui mas, enquanto houver temas que afetam diretamente o direito à condições básicas de qualidade de vida ou de moral e ética, continuarei com este tipo de texto.
Obrigada, novamente, pela visita.
Volte sempre.
Esta é a pergunta que estou fazendo desde fevereiro, quando comecei minha primeira reportagem pela faculdade. Entrevistamos oficiais, fizemos enquetes nas ruas, pesquisamos estatísticas e chegamos a uma conclusão não muito agradável.
Segundo a população Curitibana, ainda há muito a melhorar em relação à segurança na Capital. Os resultados de nossas pesquisas demonstraram claramente a preocupação do povo com esse grave problema. A maior parte dos entrevistados considerou grave a falta de segurança e disseram já terem sido assaltados ou, pelo menos, conhecem alguém que já sofreu com a violência que, segundo eles, começa na formação dos cidadãos, por isso, não basta apenas contratar policiais, mas deve-se também evitar que crianças, jovens e adolescentes entrem para esse meio. Alguns responderam que a maior parcela de culpa é da própria população que facilita a ação dos ladrões, mas a maioria atribuiu a violência urbana à falta de investimentos governamentais para segurança e educação.
Diante da indignação da população, que não aguenta mais sair de casa sem saber se vai voltar, alguma atitude deveria ser tomada imediatamente, tanto para reforçar a segurança quanto para uma educação de qualidade, para que, ao invés de futuros marginais, maníacos, traficantes e outros funcionários do crime, formem-se médicos, advogados, engenheiros, secretárias, jornalistas, que por mais que não as cumpram, tenham conhecimento das noções de ética e moral e saibam como utilizá-las.
É isso que esperam as gerações atuais, as que aqui passaram e as que ainda virão. Uma sociedade justa só se constrói com pessoas dignas e com condições dignas. É visível que a corrupção começa nas menores coisas, como quando se recebe um troco errado no supercado sem corrigir o erro e devolvê-lo para o caixa, mas a situação já esta ficando preocupante demais.
Provavelmente em breve, poderemos ser assaltados por nossos próprios filhos, afinal, é isso que eles estão recebendo como base de sua formação. É claro que estou sendo irônica, mas intencionalmente.
Espero poder postar sobre assuntos mais felizes e otimistas aqui mas, enquanto houver temas que afetam diretamente o direito à condições básicas de qualidade de vida ou de moral e ética, continuarei com este tipo de texto.
Obrigada, novamente, pela visita.
Volte sempre.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Acabou!?!
Pois é, os homens de preto (e marrom) chegaram à Invasão na quinta feira passada (23), botaram pra ferver e, principalmente, pra correr... Incendiaram geral, no sentido literário da palavra!!
Foi assim...
O bairro parou desde cedo, a rua foi fechada, os ônibus mudaram de rota para não passar em meio ao tumulto que iria acontecer. Era o assunto do dia, da semana e, provavelmente, do mês.
Houve fogo, balas de borracha, bomba de efeito moral e muita pedrada. Além disso, teve cinegrafista levando bala na cara e escudo feito com crianças e mulheres, que nada adiantou pois, em questão de minutos, só restavam escombros de barracos, famílias na calçada e policiais finalizando seu trabalho.
Só pude acompanhar o acontecimento quando ele já havia quase acabado, nisto, encontrei uma de nossas entrevistadas, de quando ainda haviam barracos. Felizmente ela me reconheceu, ficou feliz por ver que ainda estava acompanhando o caso e confessou que não sabia para onde ir. Enquanto isso, os invasores organizavam um abaixo assinado e davam entrevista aos jornais que, ao contrário de nós, estudantes, puderam estar lá desde o início da desocupação e acompanharam tudo bem de perto.
No dia seguinte, todas as manchetes dos jornais da capital eram sobre o mesmo tema. Alguns de maneira mais tendenciosa, relacionando o acontecimento com uma cena de guerra, outros mostrando mais ângulos de observação para o caso, alguns até com nome do bairro errado, afinal, Campo Comprido e Fazendinha não são o mesmo lugar. Observei todos na banca, comprei dois e li atentamente as páginas inteiras dedicadas ao fato.
Provavelmente, para muitos esta história acabaria neste episódio, com ou sem final feliz. Porém, a realidade é outra, e certamente, ainda renderá mais algumas publicações neste humilde Blog e muitas notícias nos jornais.
Até o momento desta postagem, os invasores permanecem acampados na calçada do terreno desocupado, até não se sabe quando.
Analisei bastante e poderia, sinceramente, ter chegado a alguma conclusão e poder expressar uma opinião sobre o assunto, porém, diante de tudo que vi e ouvi de ambas as partes, chego à conclusão de que a melhor posição neste caso é não ter posição. Permaneço na tentativa de imparcialidade e, apenas espero que tudo isso se resolva, seja de que maneira for.
Continuem acompanhando os próximos capítulos desta emocionante novela da vida real. Em breve, mais informações e considerações a respeito do caso.
Obrigada pela visita e volte sempre.
Foi assim...
O bairro parou desde cedo, a rua foi fechada, os ônibus mudaram de rota para não passar em meio ao tumulto que iria acontecer. Era o assunto do dia, da semana e, provavelmente, do mês.
Houve fogo, balas de borracha, bomba de efeito moral e muita pedrada. Além disso, teve cinegrafista levando bala na cara e escudo feito com crianças e mulheres, que nada adiantou pois, em questão de minutos, só restavam escombros de barracos, famílias na calçada e policiais finalizando seu trabalho.
Só pude acompanhar o acontecimento quando ele já havia quase acabado, nisto, encontrei uma de nossas entrevistadas, de quando ainda haviam barracos. Felizmente ela me reconheceu, ficou feliz por ver que ainda estava acompanhando o caso e confessou que não sabia para onde ir. Enquanto isso, os invasores organizavam um abaixo assinado e davam entrevista aos jornais que, ao contrário de nós, estudantes, puderam estar lá desde o início da desocupação e acompanharam tudo bem de perto.
No dia seguinte, todas as manchetes dos jornais da capital eram sobre o mesmo tema. Alguns de maneira mais tendenciosa, relacionando o acontecimento com uma cena de guerra, outros mostrando mais ângulos de observação para o caso, alguns até com nome do bairro errado, afinal, Campo Comprido e Fazendinha não são o mesmo lugar. Observei todos na banca, comprei dois e li atentamente as páginas inteiras dedicadas ao fato.
Provavelmente, para muitos esta história acabaria neste episódio, com ou sem final feliz. Porém, a realidade é outra, e certamente, ainda renderá mais algumas publicações neste humilde Blog e muitas notícias nos jornais.
Até o momento desta postagem, os invasores permanecem acampados na calçada do terreno desocupado, até não se sabe quando.
Analisei bastante e poderia, sinceramente, ter chegado a alguma conclusão e poder expressar uma opinião sobre o assunto, porém, diante de tudo que vi e ouvi de ambas as partes, chego à conclusão de que a melhor posição neste caso é não ter posição. Permaneço na tentativa de imparcialidade e, apenas espero que tudo isso se resolva, seja de que maneira for.
Continuem acompanhando os próximos capítulos desta emocionante novela da vida real. Em breve, mais informações e considerações a respeito do caso.
Obrigada pela visita e volte sempre.
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